AS APARIÇÕES DE JACAREÍ SÃO PAULO - SP

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Vidente Marcos Tadeu Teixeira

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quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

"DEIXAR-SE PRENDER PELA VERDADE QUE É DEUS"

Queridos irmãos e irmãs, 

No início de sua Carta aos cristãos de Efésios (cfr 1, 3-14), o apóstolo Paulo eleva uma oração de louvor a Deus, Pai de Senhor Nosso Jesus Cristo, que nos introduz a viver o tempo do Advento, no contexto do Ano da Fé. Tema deste hino de louvor é o projeto de Deus para o homem, definido com termos plenos de alegria, de admiração e de gratidão, como um “desígnio de benevolência” (v.9), de misericórdia e de amor. Por que o Apóstolo eleva a Deus, do fundo do seu coração, este agradecimento? Porque olha para seu agir na história da salvação, culminado na encarnação, morte e ressurreição de Jesus, e contempla como o Pai celeste nos tenha escolhido antes mesmo da criação do mundo, para sermos seus filhos adotivos, no seu Filho Unigênito, Jesus Cristo (cfr Rm 8,14s.; Gal 4,4s.). Existimos, desde a eternidade em Deus, em um grande projeto que Deus tem mantido em si mesmo e que decidiu implementar e revelar “na plenitude dos tempos” (cfr Ef 1,10). São Paulo nos faz compreender, então, como toda a criação e, em particular, o homem e a mulher não são frutos do acaso, mas respondem a um desígnio de benevolência da razão eterna de Deus que com o poder criador e redentor da sua Palavra dá origem ao mundo. Esta primeira afirmação nos recorda que a nossa vocação não é simplesmente existir no mundo, estar inserido em uma história, e nem somente ser criatura de Deus; é alguma coisa maior: é ser escolhido por Deus, mesmo antes da criação do mundo, no Filho, Jesus Cristo. Nele, então, nós existimos, por assim dizer, desde sempre. Deus nos contempla em Cristo, como filhos adotivos. O “desígnio de benevolência” de Deus, que vem qualificado pelo Apóstolo Paulo também como “desígnio de amor” (Ef 1,5), é definido “o mistério” da vontade divina (v. 9), escondido e ora manifestado na Pessoa e na obra de Cristo. A iniciativa divina antecede cada resposta humana: é um dom gratuito de seu amor que nos envolve e nos transforma. Mas qual é o objetivo último deste desígnio misterioso? Qual é o centro da vontade de Deus? É aquele – nos diz São Paulo – de “reunir em Cristo” (v. 10). Nesta expressão encontramos uma das formulações centrais do Novo Testamento que nos faz compreender o desígnio de Deus, o seu projeto de amor para toda a humanidade, uma formulação que, no segundo século, Santo Irineu di Lione colocou como núcleo da sua cristologia: “recapitular” toda a realidade em Cristo. Talvez alguns de vós se recordam da fórmula usada pelo Papa São Pio X para a consagração do mundo ao Sagrado Coração de Jesus: “Estabelecer todas as coisas em Cristo”, fórmula que se refere a esta expressão paulina e que era também o lema deste Pontífice. O Apóstolo, porém, fala mais precisamente da recapitulação do universo em Cristo, e isso significa que no grande desígnio da criação e da história, Cristo permanece como o dentro de todo o caminho do mundo, a espinha dorsal de tudo, que atrai para Si toda a realidade, para superar a dispersão e o limite e conduzir tudo à plenitude desejada por Deus (cfr Ef 1,23). Este “desígnio de benevolência” não tem permanecido, por assim dizer, no silêncio de Deus, na altura de seu Céu, mas Ele o fez conhecer entrando em relação com o homem, ao qual não revelou só algo, mas a Si mesmo. Ele não comunicou simplesmente um conjunto de verdade, mas se autocomunicou a nós, até ser um de nós, a encarnar-se. O Concílio Ecumênico Vaticano II, na Constituição Apostólica dogmática Dei Verbum diz: “Quis Deus, na sua bondade e sabedoria, revelar a si mesmo [não somente algo de si, mas a si mesmo] e fazer conhecer o mistério da sua vontade, mediante o qual os homens, por meio de Cristo, Verbo feito carne, no Espírito Santo, tiveram acesso ao Pai e tornaram-se, assim, participantes da natureza divina” (n. 2). Deus não só diz qualquer coisa, mas Si comunica, nos atrai para a natureza divina de forma que nós estamos envolvidos nela, divinizados. Deus revela o seu grande desígnio de amor entrando em relação com o homem, aproximando-se dele até o ponto de fazer-se Ele mesmo homem. O Concílio continua: “O Deus invisível no seu grande amor fala aos homens como aos amigos (cfr Es 33,11; Gv 15,14-15) e vive entre esses (cfr Bar 3,38) para convidá-los e levá-los à comunhão consigo” (ibidem). Apenas com a inteligência e as suas habilidades o homem não poderia ter chegado a esta revelação tão brilhante do amor de Deus; foi Deus que abriu o seu Céu e se abaixou para conduzir o homem ao abismo de seu amor. Ainda São Paulo escreve aos cristãos de Corinto: “Coisas que os olhos não viram, nem os ouvidos ouviram, nem o coração humano imaginou, tais são os bens que Deus tem preparado para aqueles que o amam. Todavia, Deus no-las revelou pelo seu Espírito, porque o Espírito penetra tudo, mesmo as profundezas de Deus” (2,9-10). E São João Crisóstomo, em uma célebre obra de comentário do início da Carta aos Efésios, convida a apreciar toda a beleza desse “desígnio de benevolência” de Deus revelado em Cristo, com estas palavras: “O que te falta? Tu te tornastes imortal, te tornastes livre, te tornastes filho, te tornastes justo, te tornastes irmãos, te tornastes co-herdeiro, com Cristo reinas, com Cristo és glorificado. Tudo nos foi doado e – como está escrito – ‘como não nos dará cada coisa junto com ele?” (Rm 8,32). Tuas primícias (cfr 1 Cor 15,20.23) foram adorados pelos anjos [...]: o que te falta?” (PG 62,11). Esta comunhão em Cristo por obra do Espírito Santo, oferecida por Deus a todos os homens com a luz da Revelação, não é algo que se sobrepõe com a nossa humanidade, mas é o cumprimento das aspirações mais profundas, daquele desejo de infinito e de plenitude que habita no íntimo do ser humano, e o abre a uma felicidade não momentânea e limitada, mas eterna. São Boaventura de Bagnoregio, referindo-se a Deus que se revela e nos fala por meio das Escrituras para conduzir-nos a Ele, afirma assim: “A sagrada Escritura é [...] o livro no qual estão escritas palavras de vida eterna para que, não só acreditemos, mas também possuamos a vida eterna, na qual veremos, amaremos e serão realizados todos os nossos desejos” (Breviloquium, Prol.; Opera Omnia V, 201s.). Finalmente, o beato João Paulo II recordava que “a Revelação coloca na história um ponto de referência do qual o homem não pode prescindir, se quer chegar a compreender o mistério da sua existência; por outro lado, porém, este conhecimento remete constantemente para o mistério de Deus, que a mente não pode esgotar, mas só acolher na fé” (Enc. Fides et ratio, 14). Nesta perspectiva, o que é então o ato da fé? É a resposta do homem à Revelação de Deus, que se faz conhecer, que manifesta o seu desígnio de benevolência; é, para usar uma expressão agostiniana, deixar-se prender pela Verdade que é Deus, uma Verdade que é Amor. Por isto São Paulo salienta como a Deus, que revelou o seu mistério, deve-se “a obediência da fé” (Rm 16,26; cfr 1,5; 2 Cor 10, 5-6), a atitude com a qual “o homem livremente se abandona inteiro a Ele, prestando a plena adesão do intelecto e da vontade a Deus que revela e assentindo voluntariamente à revelação que Ele dá” (Cost dogm. Dei Verbum, 5). Tudo isso leva a uma mudança fundamental do modo de relacionar-se com toda a realidade; tudo aparece em uma nova luz, trata-se então de uma verdadeira “conversão”, fé é uma “mudança de mentalidade”, porque o Deus que se revelou em Cristo e fez conhecer o seu desígnio de amor, nos prende, nos atrai para Si, transforma o sentido que sustenta a vida, a rocha sobre a qual essa pode encontrar estabilidade. No Antigo Testamento encontramos uma densa expressão sobre a fé, que Deus confia ao profeta Isaías a fim de que a comunique ao rei de Judá, Acaz. Deus afirma: “Se não crerdes – isto é, se não vos mantiver fiéis a Deus – não subsistireis” (Is 7,9b). Existe então uma ligação entre o estar e o compreender, que exprime bem como a fé seja um acolher na vida a visão de Deus sobre a realidade, deixar que seja Deus a conduzir-nos com a sua Palavra e os Sacramentos no entender o que devemos fazer, qual é o caminho que devemos percorrer, como viver. Ao mesmo tempo, porém, é o próprio compreender segundo Deus, o ver com os seus olhos que faz sólida a vida, que nos permite de “estar em pé”, de não cair. Queridos amigos, o Advento, o tempo litúrgico que apenas começamos e que nos prepara ao Santo Natal, nos coloca diante do luminoso mistério da vinda do Filho de Deus, ao grande “desígnio de benevolência” com o qual Ele quer atrair-nos para Si, para fazer-nos viver em plena comunhão de alegria e de paz com Ele. O Advento nos convida, mais uma vez, em meio a tantas dificuldades, a renovar a certeza de que Deus é presente: Ele entrou no mundo, fazendo-se homem como nós, para trazer a plenitude do seu plano de amor. E Deus pede que também nós nos tornemos sinal da sua ação no mundo. Através da nossa fé, da nossa esperança, da nossa caridade, Ele quer entrar no mundo sempre de novo e quer sempre de novo fazer resplandecer a sua luz na nossa noite.

A HUMILDADE PROFUNDA DA FÉ OBEDIENTE DE MARIA

Virgem Maria: Ícone da fé obediente 

Queridos irmãos e irmãs, 

No caminho do Advento a Virgem Maria ocupa um lugar particular como aquela que de maneira única esperou a realização das promessas de Deus, acolhendo na fé e na carne Jesus, o Filho de Deus, em plena obediência à vontade divina. Hoje gostaria de refletir brevemente com vocês a fé de Maria a partir do grande mistério da Anunciação. «Chaîre kecharitomene, ho Kyrios meta sou», “Alegra-te, cheia de graça: o Senhor é convosco” (Lc 1,28). São estas as palavras – trazidas pelo evangelista Lucas – com as quais o arcanjo Gabriel se dirige a Maria. À primeira vista o termo Chaîre, “alegra-te”, parece uma saudação normal, usual no âmbito grego, mas esta palavra, se lida a partir da tradição bíblica, adquire um significado muito mais profundo. Este mesmo termo está presente quatro vezes na versão grega do Antigo Testamento e sempre como um anúncio alegre da vinda do Messias (cf Sof 3,14; Gl 2,21; Zc 9,9; Lam 4,21). A saudação do Anjo à Maria é então um convite à alegria, a uma alegria profunda, anuncia o fim da tristeza que há no mundo diante das limitações da vida, do sofrimento, da morte, da maldade, da escuridão do mal que parece obscurecer a luz da bondade divina. É uma saudação que marca o inicio do Evangelho, da Boa Nova. Mas porque Maria é convidada a alegrar-se desta maneira? A resposta se encontra na segunda parte da saudação: “o Senhor é convosco”. Aqui também para bem compreender o sentido da expressão devemos dirigir-nos ao Antigo Testamento. No livro de Sofonias encontramos esta expressão “Alegra-te filha de Sião,... Rei de Israel é o Senhor em meio a ti... O Senhor, teu Deus, está no meio de ti, um herói que salva” (3, 14-17). Nestas palavras existe uma dupla promessa feita a Israel, à filha de Sião: Deus virá como salvador e fará habitação em meio ao seu povo, no ventre da filha de Sião. No diálogo entre o anjo e Maria se realiza exatamente esta promessa: Maria é identificada com o povo escolhido por Deus, é verdadeiramente a Filha de Sião em pessoa; nela se cumpre a esperada vinda definitiva de Deus, nela faz morada o Deus vivo. Na saudação do anjo, Maria é chamada “cheia de graça”; em grego o termo “graça”, charis, tem a mesma raiz linguística da palavra “alegria”. Esta expressão também esclarece posteriormente a fonte da alegria de Maria: a alegria proveniente da graça, provém, então, da comunhão com Deus, do ter uma conexão vital com Ele, de ser morada do Espírito Santo, totalmente plasmada pela ação de Deus. Maria é a criatura que de maneira única abriu a porta a seu Criador, colocou-se em suas mãos, sem limites. Ela vive inteiramente da e na relação com o Senhor; está em atitude de escuta, atenta para acolher os sinais de Deus no caminho de seu povo; está inserida em uma história de fé e de esperança nas promessas de Deus, que constitui o cerne de sua existência. E se submete livremente à palavra recebida, à vontade divina na obediência da fé. O Evangelista Lucas narra a história de Maria através de um paralelismo com a história de Abraão. Como o Patriarca é o pai dos crentes, que respondeu ao chamado de Deus para sair da terra em que vivia, de suas seguranças, para iniciar um caminho em direção a uma terra desconhecida e possuindo apenas a promessa divina, assim Maria se entrega com plena confiança na palavra que anuncia o mensageiro de Deus e se torna modelo e mãe de todos os crentes. Gostaria de destacar outro aspecto importante: a abertura da alma a Deus e à sua ação na fé inclui também o elemento da escuridão. A relação do ser humano com Deus não cancela a distância entre o Criador e a criatura, não elimina quanto afirma o apóstolo Paulo diante da profundidade da sabedoria de Deus: “Quão impenetráveis são os seus juízos e inexploráveis os seus caminhos” (Rm 11,33). Mas exatamente aquele que – como Maria – está aberto de maneira total a Deus, consegue aceitar o querer divino, mesmo sendo misterioso, mesmo que muitas vezes não corresponda ao próprio querer e é uma espada que transpassa a alma, como profeticamente dirá o velho Simeão a Maria, no momento em que Jesus é apresentado no Templo (cf Lc2, 35). O caminho de fé de Abraão compreende o momento de alegria pela doação do filho Isaac, mas também o momento de escuridão, quando deve subir o monte Moria para cumprir um gesto paradoxal: Deus lhe pede para sacrificar o filho que lhe havia apenas dado, no monte o anjo lhe ordena: “Não estenda a mão contra o menino e não lhe faça nada! Agora sei que tu temes a Deus e não me recusaste o teu filho, o teu unigênito” (Gen 22,12); a confiança plena de Abraão no Deus fiel às promessas não é menor mesmo quando a sua palavra é misteriosa e é difícil, quase impossível, de ser acolhida. Assim é para Maria, a sua fé vive a alegria da Anunciação, mas passa também através da escuridão da crucificação do Filho, para chegar à luz da Ressurreição. Não é diferente também no caminho de fé de cada um de nós: encontramos momentos de luz, mas encontramos momentosem que Deusparece ausente, e seu silêncio pesa em nossos corações e a sua vontade não corresponde à nossa, àquilo que queremos. Mas quanto mais nos abrimos a Deus, acolhemos o dom da fé, colocamos totalmente Nele a nossa confiança - como Abraão e como Maria – mais Ele nos torna capazes, com a sua presença, de viver cada situação da vida na paz e na certeza da sua fidelidade e do seu amor. Isto, porém, significa sair de si mesmo e dos próprios projetos, para que a Palavra de Deus seja a lâmpada que guia os nossos pensamentos e as nossas ações. Gostaria de deter-me agora num aspecto que emerge nas reflexões sobre a infância de Jesus narrado por Lucas. Maria e José levam o filho a Jerusalém, ao Templo, para apresentá-lo e consagrá-lo ao Senhor como prescreve a lei de Moisés: “Todo primogênito do sexo masculino será consagrado ao Senhor (Lc 2, 22-24). Este gesto da Santa Família adquire um sentido ainda mais profundo se o lemos à luz da ciência evangélica de Jesus aos doze anos que, depois de três dias de busca, é encontrado no Templo discutindo entre os mestres. Às palavras cheias de preocupação de Maria e José: “Filho, por que nos fez isso? Teu pai e eu angustiados te procurávamos”, corresponde a misteriosa resposta de Jesus: “Por que me procuráveis? Não sabíeis que devo ocupar-me das coisas de meu Pai? (Lc 2, 48-49). Isso é, na propriedade do Pai, na casa do Pai, assim como o é um filho. Maria deve renovar a fé profunda com a qual disse “sim” na Anunciação; deve aceitar que na precedência havia o Pai verdadeiro e próprio de Jesus; deve saber deixar livre aquele Filho que gerou para que siga a sua missão. E o “sim” de Maria à vontade de Deus, na obediência da fé, repete-se ao longo de sua vida, até o momento mais difícil, aquele da Cruz. Diante de tudo isso, podemos nos perguntar: como pôde Maria viver este caminho ao lado do Filho com uma fé assim firme, mesmo na escuridão, sem perder a plena confiança na ação de Deus? Há uma atitude de fundo que Maria assume diante daquilo que acontece na sua vida. Na Anunciação Ela permanece perturbada escutando as palavras do anjo – é o temor que o homem prova quando é tocado pela proximidade de Deus -, mas não é a atitude de quem tem medo diante daquilo que Deus pode pedir. Maria reflete, se interroga sobre o significado de tal saudação (cf Lc 1,29). O termo grego usado no Evangelho para definir este “refletir”, “dielogizeto” faz referência à raiz da palavra “diálogo”. Isto significa que Maria entra num diálogo íntimo com a Palavra de Deus que lhe foi anunciada, não a considera superficialmente, mas se detém, a deixa penetrar na sua mente e no seu coração para compreender o que o Senhor quer dela, o sentido do anúncio. Um outro aceno da atitude interior de Maria diante da ação de Deus encontramos, sempre no Evangelho de São Lucas, no momento do nascimento de Jesus, depois da adoração dos pastores. Afirma-se que Maria “conserva todas estas palavras, meditando-as no seu coração” (Lc 2,19); em grego o termo é symballon, podemos dizer que Ela “tinha junto”, “colocava junto” em seu coração todos os eventos que aconteciam; colocava cada elemento, cada palavra, cada fato dentro de tudo e o confrontava, o conservava, reconhecendo que tudo provém da vontade de Deus. Maria não se detém numa primeira compreensão superficial daquilo que acontece na sua vida, mas sabe olhar com profundidade, deixa-se interpelar pelos eventos, os elabora, os discerne, e adquire a compreensão que somente a fé pode garantir. É a humildade profunda da fé obediente de Maria, que acolhe em si também aquilo que não compreende do agir de Deus, deixando que seja Deus a abrir a mente e o coração. “Bem aventurada aquela que acreditou no cumprimento da palavra do Senhor” (Lc 1, 45), exclama a parenta Isabel. É exatamente pela sua fé que todas as gerações a chamarão bem aventurada. Queridos amigos, a solenidade do Natal do Senhor que em breve celebraremos, nos convida a viver esta mesma humildade e obediência de fé. A glória de Deus não se manifesta no triunfo e no poder de um rei, não resplandece em uma cidade famosa, em um suntuoso palácio, mas faz morada no ventre de uma virgem, revela-se na pobreza de uma criança. A onipotência de Deus, também na nossa vida, age com a força, muitas vezes silenciosa, da verdade e do amor. A fé nos diz, então, que o indefeso poder daquele Menino ao fim vence o rumor dos poderes do mundo. Ao final o Papa dirigiu a seguinte saudação em português: Amados peregrinos de língua portuguesa, a minha saudação amiga para todos, com votos de um santo Natal de Jesus no coração e na família de cada um, pedindo a mesma humildade e obediência da fé de Maria e José, que vos faça ver, na força indefesa daquele Menino, a vitória final sobre todos os arrogantes e rumorosos poderes do mundo. Bom Natal!